quinta-feira, 15 de junho de 2017

Estanque vazio

Preciso estancar tua presença,
amenizar tua vida em mim,
esquecer teu respiro,
como quem acolhe no peito a dor,
aquela da ausência da morte.
Necessito do silêncio em mim,
que meus poros parem de respirar,
oh de mim, de não sentir mais.
Busco anestesiar o vazio
do silencio de tuas palavras.
Quero o não querer, o simples,
o me esvaziar.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

fluído

Sinto uma ânsia,
algo em mim quer explodir,
expandir, se espalhar.
Quero gritar o agora,
como algo entre feliz ou triste.
Uma incerteza no sentido,
naquilo que cala,
em tudo o que em mim abafa.
só quero te escrever, dizer,
nem sei pra quê, mas necessito
falar nada e tudo ao mesmo tempo.
É um fluído que percorre a vida,
e sem saída, ainda não sabe onde vai terminar.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Todo do caminho

Todo meu caminho segue ao teu encontro,
no deslizar do percurso já sei onde vou ancorar.
Não preciso pensar,
não é necessário saber,
é só seguir para chegar a ti.
Me sacio nos teus lábios,
que me marcam a tarde,
o corpo,
a chuva sem fim.
sou eu, e não mais
sou você e o todo de nós,
sou, e não mais ninguém.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Adormecido

E neste vazio de mim, sigo adormecido pela vida
entre a paisagem cinza da cidade de pedra.
Quero encontrar brilho nos olhos e
lamentar as ausencias do mundo,
descansar meus pesos no abraco perdido
que me esquece no caminho.
Tento lembrar onde me perdi e para quem foi?
Sei apenas que o mundo depois disso parou,
me perdeu no vazio dos dias, e
sentiu o desprezar das horas.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Expressao

Havia em mim a grande necessidade de me expressar
de expor tudo que se agita por dentro
todos os pensamentos que me afogam
e que se agarram a vida.
era um turbilhao de sentimentos
invadindo e tomando conta do tempo
querendo se espalhar por outros espacos.
Sempre houve em mim o vazio
sempre existiu aquela fome do que nao ha
no tempo em que tudo se partia
na triste ignorancia de existir em vao.




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Caminho na cidade

A cidade segue fluindo
Neste enlouquecer continuo
De seres que se cruzam
Neste ir e vir sem fim.
Cruzo com o desconhecido
E tambem com o estranho conhecido
Que todo dia me perpassa na ansia
Do caminhar para o nada.
Este estranhamento cotidiano
De tudo e todos que meu olhar ja reconhece
E desfaz caminho afora.
E em toda a minha gana de encontrar
Teu olhar no meu caminho, espero dia-a-dia
A possibilidade de ver-te, ter-te, tocar-te
Neste entrelacar de maos, de sentir tua pele
E arrepiar ao toque.
Sempre me atento ao olhar que me ultrapassa
Na vida e na euforia apos te ter.
E me alegro com teu sorriso bobo, e canto
Cada tanto de estar.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Colo

Me dá teu colo
teu peito
teu ar em mim,
me beija devagar e demorado
e me faz esquecer o que há lá fora.
atrás das janelas.
Pousa minha cabeça no teu corpo,
minha alma no abraço,
meu cansaço no teu sono
e repousa em mim, em nós.
Acaba com meus medos,
fala coisas banais
que me tirem o sério do canto da boca.
Faz sorrir meus olhos ao ler-te.
Deixa minhas mãos decifrarem teus poros
e no arfar do momento,
contemplar o instante interminável.